ICMS. ROL EXEMPLIFICATIVO. MEDICAMENTO ISENTO. FINALIDADE EXTRAFISCAL

MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS E SERVIÇOS (ICMS) INCIDENTE SOBRE OPERAÇÃO COM MEDICAMENTOS DESTINADOS AO TRATAMENTO DO CÂNCER. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. CONVÊNIO 162/1994 DO CONFAZ. DECRETO DISTRITAL Nº 18.955/1997. ROL EXEMPLIFICATIVO. MEDICAMENTO ISENTO. FINALIDADE EXTRAFISCAL. 1. A ação constitucional do mandado de segurança é medida excepcional para se proteger direito líquido e certo sempre que, ilegalmente ou com abuso de poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. 2. No exercício da competência tributária que lhe foi outorgada pelo artigo 155, II, da Constituição Federal, o Distrito Federal editou o Decreto n.º 37.893/2016, que alterou o Decreto n.º 18.955/1997 (Regulamento do Imposto sobre circulação de mercadorias e serviços – ICMS), para, na forma de seu artigo 6º – que estabelece as operações e prestações isentas de ICMS, fazer constar medicamentos que possuem o princípio ativo docetaxel triidratado. 3. A interpretação literal (artigo 111, II, do Código Tributário Nacional) não pode estar dissociada das regras e princípios constitucionais que regulam a atividade tributante do Estado, em especial, o princípio da isonomia tributária, previsto no artigo 150, II, da Constituição Federal. 4. O rol de medicamentos que têm por princípio ativo o docetraxel triidratado no Decreto Distrital nº 18.955/1997 é meramente exemplificativo, sob pena de violação ao princípio da isonomia tributária. 5. É evidente a finalidade extrafiscal das normas em questão, que visam à redução do preço de fármacos destinados ao tratamento do câncer, sabidamente de valores elevados. Por isso, tanto o item 43 do Convênio ICMS 162/94 do CONFAZ quanto os subitens 28 e 29 do item 75 do Caderno I (Isenções) do Anexo I do Decreto Distrital n.º 18.955/1997 devem ser interpretados restritivamente para permitir a concessão da isenção do ICMS aos medicamentos que possuam como princípio ativo o docetaxel, pouco importando se na forma anidra (sem moléculas de água) ou na forma triidratada (com três moléculas de água), visto que, nesse caso, o legislador foi além do que deveria no exercício de sua competência tributária, pois restringiu a aplicação da isenção onde incabível. 6. Apelação conhecida e provida. TJSP, Apel. 0705504-27.2017.8.07.0018, julg. 31 de Outubro de 2018.

OECD – AGGRESSIVE TAX PLANNING BASED ON AFTER-TAX HEDGING

This report focuses on aggressive tax planning (ATP) schemes based on after-tax hedging. In general terms, after-tax hedging consists of taking opposite positions for an amount which takes into account the tax treatment of the results from those positions (gains or losses) so that, on an after-tax basis, the risk associated with one position is neutralised by the results from the opposite position. While after-tax hedging is not, of itself, aggressive – being generally a straightforward risk management technique – the report recognises that it can also be used as a feature of ATP schemes. ATP schemes based on after-tax hedging pose a threat to countries’ revenue base: empirical evidence suggests that hundreds of millions of USD are at stake, with a number of multi-billion USD transactions identified by certain countries. ATP schemes based on after-tax hedging originated in the banking sector, but experience shows that they are also used in other industries and, in some instances, also by medium-sized enterprises, thus generating an even bigger threat to tax revenue. It is therefore important that governments are aware of arrangements that use hedging for ATP purposes. The Report follows on from the 2011 OECD Report Corporate Loss Utilisation through Aggressive Tax Planning which recommends countries analyse the policy and compliance implications of after-tax hedges in order to evaluate the appropriate options available to address them. It was prepared by the ATP Steering Group of Working Party No. 10 on Exchange of Information and Tax Compliance of the Committee on Fiscal Affairs (CFA). The report builds on a number of country submissions to the OECD Directory on Aggressive Tax Planning where several ATP schemes based on after-tax hedging have been posted. After having discussed in general terms the notion of hedging as a risk management tool and the effect of taxation on hedging transactions, the report describes the features of ATP schemes based on after-tax hedging that have been encountered by a number of countries. In those schemes, taxpayers use after-tax hedging to earn a premium return, without actually bearing the associated risks, which is in effect passed on to the government. In all of these schemes there is generally no pre-existing exposure to hedge against but rather the exposure is created as part of the relevant scheme. ATP schemes based on after-tax hedging exploit the disparate tax treatment between the results (gain or loss) from the hedged transaction/risk on the one hand, and the results (gain or loss) from the hedging instrument on the other. In some of these schemes, the tax treatment of gains and losses arising from each transaction is symmetrical, while in others the tax treatment is asymmetrical. Other schemes rely on similar building blocks and are often structured around asymmetric swaps or other derivatives. ATP schemes based on after-tax hedging can exploit differences in tax treatment within one tax system and are in that sense mostly a domestic law issue. Any country that taxes the results of a hedging instrument differently from the results of the hedged transaction/risk is potentially exposed. The issue of after-tax hedging also arises in a cross-border context with groups of companies operating across different tax systems, which gives rise to additional challenges for tax administrations.

ISSQN. CAPACIDADE TRIBUTÁRIA ATIVA. INEXISTÊNCIA DE UNIDADE ECONÔMICA OU PROFISSIONAL NO LOCAL DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. ESTABELECIMENTO INEXISTENTE

ISSQN. CAPACIDADE TRIBUTÁRIA ATIVA. INEXISTÊNCIA DE UNIDADE ECONÔMICA OU PROFISSIONAL NO LOCAL DA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. ESTABELECIMENTO INEXISTENTE. ART. 4º DA LC Nº 116/03. CRITÉRIO ALTERNATIVO. DOMICÍLIO DO PRESTADOR DE SERVIÇO. RECURSO PROVIDO. 1. O serviço de informática prestado na modalidade “fábrica de software” e mediante departamentalização geográfica, com atividades desempenhadas coordenadamente em mais de uma localidade, constitui atividade complexa apta a descaracterizar a unidade econômica ou profissional, requisito necessário para a configuração do estabelecimento prestador para fins tributários, previsto no art. 4º da Lei Complementar nº 116/03. 2. A inexistência de estabelecimento prestador atrai a incidência da regra definidora da capacidade tributária ativa prevista alternativamente no art. 3º da Lei Complementar nº 116/03, para atribui-la ao ente federativo do local em que situado o domicílio do prestador. 3. O Distrito Federal não é sujeito ativo da relação jurídica tributária do ISSQN devido em razão de serviço prestado por pessoa jurídica domiciliada em outro ente federativo, quando não caracterizado o estabelecimento na respectiva base territorial. 4. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. TJDFT, Apel. 0703630-70.2018.8.07.0018, julg. 21 de Agosto de 2019.

OECD – Standard for Automatic Exchange of Financial Account Information in Tax Matters: Implementation Handbook. SECOND EDITION

 The purpose of the CRS Handbook is to assist government officials in the implementation of the Standard for the Automatic Exchange of Financial Account Information in Tax Matters (“Standard”) and to provide a practical overview of the Standard to both the financial sector and the public at-large. The Handbook provides a guide on the necessary steps to take in order to implement the Standard. Against that background, the Handbook is drafted in plain language, with a view of making the content of the Standard as accessible as possible to readers. The Handbook provides an overview of the legislative, technical and operational issues and a more detailed discussion of the key definitions and procedures contained in the Standard. This second edition of the Handbook is intended to be a living document and will be further updated and completed over time. Changes reflected in the second edition of the Handbook provide additional and more up-to-date guidance on certain areas related to the effective implementation of the Standard. This includes revisions to sections pertinent to the legal framework for implementation of the AEOI, data protection, IT and administrative infrastructures as well as compliance measures. More clarity has been provided in the trust section of the Handbook relation to the identification of Controlling Persons. The objective of the Handbook is to assist stakeholders in the understanding and implementation of the Standard and should not be seen as supplementing or expanding on the Standard itself. Cross references to the Standard and its Commentary are therefore included throughout the document. The page numbers refer to the pages in the consolidated second edition of the Standard. Background to the creation of the Standard for Automatic Exchange 1. In 2014, the OECD together with G20 countries and in close cooperation with the EU as well as other stakeholders developed the Standard for Automatic Exchange of Financial Account Information in Tax Matters, or the Standard. This was in response to the call of the G20 leaders on international community to facilitate cross-border tax transparency on financial accounts held abroad. The Standard intends to equip tax authorities with an effective tool to tackle offshore tax evasion by providing a greater level of information on their residents’ wealth held abroad. In order to maximise efficiency and minimise costs the Standard builds on the automated and standardised solutions that jurisdictions previously developed for the purposes of the intergovernmental operationalisation of the US laws commonly known as FATCA. 2. The Standard has now moved from the design to implementation and application phase with the first exchanges having taken place in September 2017. There are over 100 jurisdictions representing all the major international financial centres that have committed to commence automatic exchange of information in 2017 or 2018. Within that group there is a small group of jurisdictions that have yet to pass domestic legislation to impose reporting obligations on their financial institutions. Many jurisdictions have also made significant progress in adopting the necessary international legal frameworks enabling cross-border exchanges. 3. The commitment process is monitored by the Global Forum on Transparency and Exchange of Information for Tax Purposes (“Global Forum”) whose role is to ensure timely and effective implementation of the Standard based on a level playing field. In parallel, the OECD continues its work on the practicalities of the Standard by seeking stakeholder input and clarifying its application through the regular publication of Frequently Asked Questions (FAQs) on the AEOI Portal as well as updates to this Handbook.

IRRF. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS OCORRIDA EM EXERCÍCIO POSTERIOR AO DA PRIMEIRA RETENÇÃO. DIREITO A COMPENSAR ENTRE PERÍODOS-BASE DISTINTOS. POSSIBILIDADE

COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS OCORRIDA EM EXERCÍCIO POSTERIOR AO DA PRIMEIRA RETENÇÃO. DIREITO A COMPENSAR ENTRE PERÍODOS-BASE DISTINTOS. POSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL NA DATA DO ENCONTRO DE CONTAS. DECRETO-LEI N. 1.790/1980 E IN SRF N. 87/1980. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. LEI N. 7.713/1988. AUSÊNCIA DE PROIBIÇÃO. SUPRESSÃO DO DIREITO DE COMPENSAR ENTRE CALENDÁRIOS DIVERSOS POR ATO INFRALEGAL. IN SRF N. 139/1989. ILEGALIDADE. I – Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Aplica-se, in casu, o Código de Processo Civil de 1973. II – Não se pode conhecer da apontada violação ao art. 535 do CPC/1973, porquanto o recurso cinge-se a alegações genéricas e, por isso, não demonstra, com transparência e precisão, qual seria o ponto omisso, contraditório ou obscuro do acórdão recorrido, bem como a sua importância para o deslinde da controvérsia, o que atrai o óbice do verbete sumular n. 284/STF, aplicável, por analogia, no âmbito desta Corte. III – A lei é o único veículo normativo capaz de criar e estabelecer a configuração do direito à compensação tributária, vale dizer, de fixar os requisitos materiais e formais à sua fruição, e somente por intermédio dela é que se poderá impor limitações ao seu exercício, em observância à legalidade prevista no art. 5º, II, da Constituição da República. IV – O vigente Decreto-lei n. 1.790/1980 e a Lei n. 7.713/1988 não se antagonizam: enquanto o primeiro disciplina o regime de compensação vinculado às relações jurídicas tributárias havidas sob a sua égide, a segunda, por outro lado, define regramento próprio da modalidade de compensação complementar que especifica, sendo aplicável, todavia, somente a partir de 1º.01.1989, por força do disposto nos arts. 35, § 6º, e 57. V – O Decreto-lei n. 1.790/1980 não estabeleceu restrição à compensação entre períodos diversos, isto é, não impôs limitação temporal ao exercício de tal direito. VI – O art. 35, § 4º, c, da Lei n. 7.713/1988, não exibe nenhuma proibição de compensar entre exercícios diferentes, como também não se verifica previsão de regulamentação de tal dispositivo por ato infralegal, diversamente da IN SRF n. 87/1980, cuja edição foi expressamente autorizada pelo art. 6º do Decreto-lei n. 1.790/1980. VII – Os atos administrativos regulamentares devem observar não apenas o ato normativo do qual extraem validade imediata, mas também devem guardar conformidade com o arcabouço legal sobrejacente. VIII – Ilegalidade do art. 4º, I, da IN SRF n. 139/1989, que suprimiu a comunicação entre exercícios diferentes, trazendo inovação limitadora não prevista na lei de regência da compensação. IX – Recurso especial provido. REsp 1628374 / SP, DJ 14/02/2020.

Os exportadores e a reforma tributária

Ultrapassada a reforma previdenciária, e preterido o impreterível debate sobre a reorganização administrativa, ganham corpo as notícias e as conversas envolvendo a reforma tributária, igualmente fundamental para um país que almeja o desenvolvimento. Há duas propostas de emenda constitucional (PEC) principais veiculando essa matéria: a PEC 45/2019, em trâmite perante a Câmara dos Deputados, e a PEC 110/2019, que teve iniciativa perante o Senado Federal. Foi criada esta semana uma comissão mista de Deputados e Senadores para analisar as duas propostas em conjunto, e a depender do que verbalizaram os dirigentes das duas Casas, teremos um novo sistema tributário até meados deste ano, com vigência para o início do próximo ano.

Imóvel com dívida tributária arrematado em leilão pode ser penhorado em caso da execução antes da alienação

A 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), por unanimidade, manteve a penhora de imóvel arrematado por um homem em leilão extrajudicial promovido pela Caixa Econômica Federal (CEF) por entender que a alienação do imóvel prejudicaria a execução do crédito tributário pela Fazenda Nacional (FN) contra o antigo proprietário do bem antes da alienação. Segundo o Colegiado, em se tratando de créditos tributários de interesse da FN, é indiscutível a sua prevalência sobre as demais cobranças.

CORREÇÃO MONETÁRIA. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. ART. 3º DA LEI N° 8.200/1991. CONSTITUCIONALIDADE

AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. ART. 3º DA LEI N° 8.200/1991. CONSTITUCIONALIDADE. 1. O Tribunal de origem decidiu pela inconstitucionalidade do art. 3º, I, da Lei nº 8.200/1991 e, ao fazê-lo, divergiu da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que, ao apreciar o Tema 298 da sistemática da repercussão geral, fixou a seguinte tese: É constitucional a sistemática estabelecida no artigo 3º, inciso I, da Lei 8.200/1991 para a compensação tributária decorrente da correção monetária das demonstrações financeiras de pessoas jurídicas no ano-base 1990. 2. Agravo interno a que se nega provimento. RE 200721 AgR / MG, DJ 13-02-2020.